segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

entre as catacumbas de Maria Aritmética e Franco Dicionários havia uma barreira

Entre as catacumbas de Maria Aritmética e Franco Dicionários havia uma barreira, uma catacumba de alguém que não foi muito importante em vida, que, quem sabe, até merecia uma catacumba melhor.

Maria não sabia como chegar até Franco, eles foram separados pela morte dias após seu casório. Ambos não acreditavam que o espírito é mais importante que a carne. Aconteceu então que ficaram embotados na carne mesmo depois da morte.

Aritmética estava com os olhos abertos em sua catacumba, e pelo tempo que já estava lá, já começava a recobrar movimentos. Dicionários já estava até ficando com o pau duro depois de dois meses. Sonhava, já com os olhos abertos, com o sexo oral que de sua adjunta esposa poderia obter.

Mas, havia ainda por cima, além de estarem mortos e enterrados, uma outra barreira, já mencionada no primeiro parágrafo: uma catacumba de um estranho entre eles, e era uma catacumba pobre, uma regalia para mortos como eles que adorariam dar uma voltinha por aí de vez em quando. Se a catacumba é mais pobre ela é mais fácil de ser vencida para se sair dela.

Maria Aritmética, casada com Franco Dicionários detestavam aquela barreira. Que barreira seria essa? O que será que ali entre eles estava enterrado?

Uma pessoa. Zé do Açougue. Zé trabalhara a vida toda no açougue vendendo carnes, e não dispensava um ou outro trabalhinho por fora: esquartejar um humano ou outro pra facilitar o sumiço do defunto, essas coisas.

Depois de dois mil e setecentos anos, Maria Aritmética já estava sentadinha em cima de sua catacumba, e, Franco, sentado na sua, com o pau na mão. Só precisavam vencer aquela barreira pra se encontrarem juntos. Acontece que rolou um raio vindo do céu que caiu exatamente sobre Zé do Açougue. Ele ressurgiu das trevas, com seu machado na mão, machado que seus comparsas haviam colocado junto de seu corpo em homenagem e consideração por sua companhia.

Não deu outra: Zé do Açougue partiu pra cima dos corpos de Aritmética e Dicionários, os casados, mal casados, comparsas da carne e não do espírito, e esquartejou-os completamente. Primeiro a Aritmética: rolou pescoço, rolou braço, cuspiu barriga... Dicionários: voou pau, esbugalhou olhos, desencantou pernas.

Foi dada a chance da conquista, em último grau, aos amantes. Agora os dois estavam esbugalhados, esquartejados na terra no cemitério, completamente misturados: deviam se sentir mais unidos do que nunca, de uma maneira que nunca imaginaram antes. O problema é que os nervos já estavam todos desarticulados pelo excelente trabalho do Açougue. Agora eles se tornaram apenas merda desarticulada em espasmos sem poesia, o que de certa forma sempre foram, apenas chegaram a um ápice: o ícone de quem pensa como eles, o destino que têm: antes ou depois, agora ou para sempre.


escrito ao som do Slayer

4 comentários:

Macaco Pipi disse...

nossa
dá até arrepio
de tão ruim
aeheaae

Macaco Pipi disse...

ruim os calculos... :D

Karla Hack dos Santos disse...

Concentração para não perder o ritmo do texto - nem seu contexto!
Muito bem estruturado e criativo...

adorei!

;D

Smoker Sam disse...

muito louco esse texto
^^

vlw