segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

justiça de sol violeta

Enquanto a passeata prosseguia com seus cartazes o sol se punha braseadamente por entre as nuvens de algodão doce...

Elas reclamavam um novo dia melhor. O sol deveria nascer violeta e as nuvens de algodão doce deveriam se tornar acessíveis, ao alcance das mãos...

Depois de uma semana mais ou menos eis que surgiu no límpido céu o sol violeta. Transmitia uma paz a tudo e a todos que jamais alguém poderia ter mensurado. Depois de dois dias foi a vez das nuvens chegarem ao alcance das mãos, provando que eram de algodão doce.

Até o dia em que a Prefeitura Municipal se revoltou contra tamanha paz e resolveu dar um toque de recolher... Em alguns dias o sol se foi, eternamente escondido por trás de longínquas nuvens que já não mais serviam doce à população. Eram de algodão doce, ou seja, algodão de ácido lisérgico, mas agora estava tudo acabado.

Passado algum tempo, com tudo daquilo tendo acabado, o prefeito retirou o toque de recolher. Aí tudo voltou, o sol violeta, o doce ao alcance de todos, mas dessa vez seria diferente... O próprio sol fez justiça. Abocanhou o prefeito em plena praça pública depois voltou ao céu, seu lugar de equilíbrio predileto.

Muitos morreram por causa de overdose de doce, mas muitos ainda estavam vivos, vivendo uma vida sem tédio e sem prefeito.



escrito ao som de Fantômas – Suspended Animation (in shuffle)

2 comentários:

disse...

Gostei cara!
Bem que poderia acontecer isso mesmo, um sol violeta nascer numa manhã e comer o prefeito daqui também, duro é a indigestão que ele iria ter depois. hahaha
Enfim, muito bom seu texto!

Beatriz Verissimo disse...

Seria ótimo.