sexta-feira, 18 de maio de 2012

colegas gelos, colega limão, colegas amoras...

uma amora daquela árvore
ela queria alcançar
ela queria driblar
os galhos, os ventos
e comê-la por inteiro

mas uma só não seria suficiente
ela quer mais uma amora
é como o amor em seu peito
precisa de frio
frio e aconchego

depois de uma meia hora da tarde dedicada à colheita
tinha comido meras três amoras
pra ela estava ótimo
ela gostava de valorizar o que tinha
de pouco a pouco vislumbrar um apenas pouco
mas muito... muito no coração
no incomensurável onde tudo começa se misturar
onde não se sabe mais o que é pouco ou o que é muito
onde se está...

entrou em sua casa e preparou um copo com gelos
espremeu um limão e deixou estar...
depois de alguns instantes, resolveu:
_ eu quero amora pegar!

para fazer uma nova mistura
limão, amora, gelo...
conseguiu três logo de cara...
não se sabe se porque já estava morta...
sim, morta...
os gelos a mataram...
acobertados pelo limão...
que a distraiu com seu delicioso gosto ácido...
foram os gelos...
porque eles resolveram...
e ela não percebeu...
que estava morta...
só depois que fez a mistura com amoras... percebeu...
algo diferente... quando as bebeu... seu espírito se aquietou...
em um piscar intenso de luz... foi levada dali...
foi para outro aspecto do universo... um outro lugar...
e as amoras ficaram satisfeitas...
de a salvar...

_
escrito ao som do álbum Le Roi Est Mort, Vive Le Roi! do Enigma

2 comentários:

enricows disse...

Uau! O texto ficou muito bonito, confuso, porém poético e bonito! Gostei da parte em que você fala da "confusão", "não saber mais onde está"
Parabéns pelos textos!
Abraço!

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Sou Aila Souza, disse...

Adorável texto! Gostei muito e estou a lhe seguir, abraços e uma excelente noite.